DE BEIJINHOS A BRISAS

São várias as histórias que se ouvem pela cidade de Leiria e que falam da origem das Brisas do Liz. 
Umas remetem-nos para as monjas do Convento de Santana, berço de deliciosas iguarias. Outras há que nos transportam para o seio de uma reconhecida família da cidade de Leiria, apoiando-se em relações de amizade e num percurso espácio-temporal, que nos faz marear o Atlântico, recuando até ao início do século XX.
Aprofundado o tema, chegamos a bom porto, mais concretamente a Angola, terra que viu nascer, não só uma forte amizade entre Maria do Céu Lopes e Georgina Santos, como a receita das tão afamadas Brisas do Liz, pelas talentosas mãos da D. Georgina. 
Se há uma base conventual nesta história, então essa base remonta à juventude da D. Georgina, que dizem ter estudado num convento e aí ter aprendido a receita que mais tarde levou consigo para Angola... Suspeitas e suposições à parte, a amizade cresceu e, com ela, fomentou-se a partilha da receita entre as mulheres das duas famílias. 

Mais tarde, nas primeiras décadas do século XX, de regresso a Portugal, mais concretamente a Leiria, a amizade converteu-se em sociedade, que deu origem ao carismático Café Colonial, ainda hoje recordado como um dos mais emblemáticos da cidade do Liz. 
Sabendo que guardavam consigo um segredo gastronómico valioso, as famílias decidiram iniciar o fabrico do doce, aprimorado durante anos, e apresentá-lo à cidade enquanto especialidade, chamando-lhe Beijinhos do Liz. Rapidamente este nome deu origem a trocadilhos malandros, por parte de clientes mais brincalhões, o que levou à sua alteração para o atual: Brisas do Liz. 
As Brisas do Liz ganharam tal fama, que não tardou para que outras pastelarias da cidade começassem a reproduzi-las, e as receitas multiplicaram-se, tendo como base as gemas, o açúcar e a amêndoa. 
Hoje, são vários os que confecionam Brisas do Liz, sempre com um toque especial que não desrespeita a receita original, receita essa que permanece bem guardada, com quem teve o privilégio de ganhar a confiança da D. Maria do Céu Lopes e Georgina Santos.

(A história das Brisas do Liz foi escrita com base em diversos testemunhos e no acervo documental da cidade de Leiria, de onde se destacam os seguintes nomes: Maria Gabriela Lopes Bernardo Paula, Mário Jorge Marques Sobreira, Orlando Cardoso, Prof. Luís Tomás, Paulo Moreiras, Afonso Zúquete, José Dias Coelho e Susana Arede.)